terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cresce consciência ambiental em toda população do Brasil desde a Eco 92 no Rio

Pesquisa mostra que a população, além de mais consciente, mostra maior disposição em relação a atitudes ambientalmente corretas e com o consumo.
[ i ]Atitudes que parecem simples, como o descarte correto de pilhas e baterias, contribuem com o meio ambiente. Foto: Jair AraújoAtitudes que parecem simples, como o descarte correto de pilhas e baterias, contribuem com o meio ambiente.
Manaus - Os brasileiros estão mais conscientes sobre a importância do meio ambiente do que há 20 anos. Na comparação entre os primeiros e últimos resultados, divulgados em junho, a pesquisa ‘O Que o Brasileiro Pensa do Meio Ambiente e do Consumo Sustentável’, realizada desde 1992, ano da realização da Conferência de Cúpula, mostrou que a consciência ambiental no País quadruplicou.
As versões do levantamento mostram, que enquanto na primeira edição, que ocorreu durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio+20 92,47% dos entrevistados ainda não sabiam identificar os problemas ambientais. Este ano, apenas 10% ignoravam a questão.
Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente. “Esta é uma pesquisa que mostra claramente tendências”, explicou a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Brollo de Serpa Crespo.
Nessa projeção, a população da Região Sul mostrou-se mais engajada ambientalmente. Mais da metade dos sulistas sabem o que é consumo sustentável. “A diferença do Sul é impressionante em termos dos mais altos índices não só de acertos mas de atitudes corretamente ambientais”, disse.
Ao longo de duas décadas, os mais jovens e os mais velhos são os que menos conhecem a realidade ambiental, mas a consciência aumentou. Há 20 anos, quase 40% dos entrevistados entre 16 e 24 anos não opinaram sobre problemas ambientais, assim como mais de 60% dos brasileiros com 51 anos ou mais. Este ano, as proporções caíram para 6% entre os jovens e 16,5% entre os mais velhos.
“Isso tende a mudar ainda mais, porque agora temos todo um trabalho de educação ambiental nas escolas, o que vai refletir nas faixas seguintes ao longo dos anos”, disse Samyra, acrescentando que o nível de consciência ambiental “cresce à medida que a população é mais informada e mora em áreas urbanas, porque significa acesso à informação. E, na área rural, ainda há o habito de queimar o lixo”.
Atitudes corretas
Samyra afirma que os resultados mostram que a população, além de mais consciente, mostra maior disposição em relação a atitudes ambientalmente corretas e preocupação com o consumo.
A questão relacionada ao lixo, por exemplo, é um dos problemas que mais ganhou posições no ranking dos desafios ambientais montado pelos brasileiros. O destino, seleção, coleta e outros processos relativos aos resíduos que preocupavam 4% das pessoas entrevistadas em 1992, agora são alvos da atenção de 28% das pessoas.
Este ano, 48% dos entrevistados, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, afirmaram que fazem a separação dos resíduos nas residências. “Muitas vezes a disposição da população não encontra acolhimento de políticas públicas. Muitas vezes o cidadão separa em casa e a coleta do lixo vai e mistura os resíduos”, disse a secretária.
Na análise geral do país, os índices ainda são baixos, sendo que menos de 500 municípios têm coleta seletiva implantada. Enquanto a separação do lixo é um hábito de quase 80% das pessoas que vivem na Região Sul atualmente e de mais da metade dos moradores de cidades do Sudeste. No Norte e Nordeste, mais de 60% não separam resíduos.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Meio Ambiente: parceria deve transferir até R$ 3 mi para projetos de conservação

Na semana passada, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza (FGBPN) e a Fundação Araucária lançaram em conjunto uma chamada para selecionar projetos de instituições paranaenses que contribuam para a conservação da natureza no Paraná e áreas limítrofes, priorizando-se as regiões de matas com araucárias (Floresta Ombrófila Mista) e o Lagamar, no litoral do Estado.
A chamada prevê auxílio financeiro de R$ 600 mil por ano e tem um prazo inicial de duração de cinco anos, totalizando R$ 3 milhões destinados a incentivar a conservação, podendo ser prorrogado e incrementado. Com a primeira chamada, espera-se selecionar projetos com resultados práticos para a conservação, com duração de 1 a 3 anos.
De acordo com a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza Malu Nunes, o edital busca priorizar ações para promover a proteção de um dos biomas mais ameaçados do Brasil. “O ecossistema das Florestas com Araucárias é um dos mais ameaçados de extinção, com menos de 1% da mata nativa em bom estado de conservação no Paraná, por isso a grande preocupação em promover ações que contribuam para este tipo de floresta”, explica.
Também devem ser priorizadas ações que envolvam a melhoria da implementação e gestão das unidades de conservação de proteção integral existentes nas respectivas regiões.
Para o presidente da Fundação Araucária, Paulo Roberto Brofman, “a parceria é muito importante para manter conservadas as poucas áreas remanescentes destes biomas no Estado”. Brofman espera que entidades públicas como prefeituras, o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) sejam parceiros relevantes e fomentem o encaminhamento de projetos.
O lançamento desta Chamada também contribuirá para o projeto 446-MA Corredor das Araucárias, do qual a Fundação Grupo Boticário participa como integrante do consórcio de instituições executoras. Financiado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA/PDA) e coordenado pela SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental), o projeto tem 0 objetivo de estabelecer o Corredor Ecológico como unidade de planejamento territorial, para criar oportunidades de conservação e utilização sustentável dos recursos naturais da floresta com araucária.
Inscrições
As inscrições vão até o dia 31 de agosto e devem ser feitas diretamente nas páginas eletrônicas das instituições: www.fundacaogrupoboticario.org.br ou http://www.fundacaoaraucaria.org.br
Podem se inscrever instituições públicas e privadas sem fins lucrativos, com endereço de CNPJ no Paraná. Por questões de regulamentos internos, as instituições privadas deverão enviar suas propostas via formulário da Fundação Grupo Boticário. As instituições de ensino superior públicas ou privadas ou instituições de pesquisa deverão enviar suas propostas via formulário da Fundação Araucária.
O Lagamar e a Floresta com Araucárias
O Lagamar é uma parte da faixa costeira brasileira que se estende pelos litorais do Paraná e sul de São Paulo. Esta área é definida como prioritária para a conservação, por ser considerada o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do Brasil e um dos maiores berçários de vida marinha no mundo.
A Floresta com Araucárias (Floresta Ombrófila Mista) é um dos ecossistemas mais ameaçados do Bioma Mata Atlântica que, por sua vez, é o mais ameaçado do Brasil.
No Paraná, originalmente a Floresta com Araucárias ocupava 8 milhões de hectares, o equivalente a 49,8% do estado. Hoje, restam menos de 60 mil hectares (0,8%) em bom estado de conservação e seus maiores remanescentes se localizam nas regiões de Guarapuava, União da Vitória e Palmas, no Centro Sul do Paraná, onde formam corredores, conforme estudo realizado em 2001, pela Fundação de Pesquisas Florestais, da Universidade Federal do Paraná.
Para os campos naturais associados, a situação é ainda mais crítica, uma vez que o Ministério do Meio Ambiente (2000) admitia que, no Paraná, remanescentes em estágio avançado de sucessão não passavam de 0,24% em relação à área original.
De forma geral, os remanescentes naturais da região da Floresta com Araucárias encontram-se fragmentados e dispersos, o que contribui para diminuir a variabilidade genética das espécies que a compõem, colocando-as sob efetivo risco de extinção. E, apesar dessa situação, as ameaças continuam. A situação é agravada pela exploração ilegal de madeira e pela conversão dos ambientes naturais em áreas agrícolas e reflorestamento de espécies exóticas, aumentando ainda mais o isolamento e insularização dos remanescentes.

domingo, 15 de julho de 2012

Brasil tem o equivalente a duas Franças em áreas degradadas

Ministério do Meio Ambiente estima que 140 milhões de hectares de terra estão em em processo de erosão ou mal utilizadas

Agência Brasil | 12/07/2012
Agência Brasil
Se o Brasil recuperasse suas áreas degradadas – terras abandonadas, em processo de erosão ou mal utilizadas – não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para a agropecuária. A avaliação é de técnicos e pesquisadores reunidos hoje (11), durante o 9º Simpósio Nacional de Recuperação de Áreas Degradadas (9º Sinrad), que ocorre no Rio até dia 13.
O diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fernando Tatagiba, estimou em até 140 milhões de hectares o total de terras nessa situação no país, área superior a duas vezes o tamanho da França. O ministério está finalizando seu novo plano plurianual, que dará grande importância à recuperação da terra como forma de evitar o empobrecimento das populações e prevenir a derrubada de mais áreas de florestas.
“Neste plano está estabelecida uma meta de elaborar, até 2015, um plano nacional de recuperação de áreas degradadas, que necessariamente deve ser feito com políticas integradas com outros setores da sociedade. Não existe um número preciso [de terras degradadas], mas gira em torno de 140 milhões de hectares. É um grande desafio que temos pela frente, de superar esse passivo, pois essas áreas geram prejuízos enormes para o país e trazem pobreza para o produtor rural”, disse Tatagiba.
Segundo o diretor, existem áreas degradadas em todos os biomas e regiões do país. “Obviamente, onde a ocupação humana é mais antiga, existem áreas mais extensas, como é o caso da Mata Atlântica. Mais recentemente, temos o Cerrado. Na Amazônia, as áreas degradadas estão localizadas em locais de mineração e no chamado Arco do Desmatamento [faixa de terra de pressão agrícola marcada por queimadas e derrubadas, ao sul da Amazônia, do Maranhão ao Acre]”, explicou.
Tatagiba considerou que se as áreas degradadas forem recuperadas, não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para agricultura e pecuária, ainda que na prática nem toda área possa ser totalmente recuperada.
“Para reduzir a pressão sobre florestas, há necessidade de se recuperar pastagens degradadas, que são em torno de 15 milhões de hectares. Se você recupera a capacidade produtiva dessa pastagem, elimina a necessidade de suprimir uma área equivalente em florestas. Além disso, é preciso aumentar a produtividade da pecuária, pois não tem cabimento um boi por Maracanã [equivalente a um hectare]”, comparou Tatagiba.
Para o chefe do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agrobiologia), Eduardo Campello, o Brasil já detém tecnologia própria para reverter a degradação das terras, por meio de processos de seleção e manejo e trocando produtos químicos por insumos biológicos. Com isso, ele considera ser possível reduzir ou até reverter a derrubada de florestas para a agropecuária.
“Várias dessas áreas podem se tornar mais rentáveis, tirando a pressão sobre as florestas e os remanescentes nativos. Já tivemos avanços incontestáveis com o plantio direto [técnica em que se roça a terra e se semeia em seguida, evitando a erosão]. É preciso integrar lavoura, pecuária e floresta, usando mecanismos naturais, como fixação biológica de nitrogênio, evitando o uso de adubo químico. Já temos áreas abertas suficientes, o que precisamos é recuperar o solo.”

sábado, 7 de julho de 2012

AL: veto do Ibama gera protestos de senadores

Atualizado

Entidade quer impedir construção de estaleiro em área de mangue, mas parlamentares prometem represálias

 Renan Calheiros promete represálias caso Ibama não volte atrás / Renato Araujo/Agência Brasil
Renan Calheiros promete represálias caso Ibama não volte atrásRenato Araujo/Agência Brasil
A negativa do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) de conceder licença prévia para construção de um estaleiro em Alagoas provocou uma reação política na bancada do Estado no Senado, liderada pelo senador Renan Calheiros (PMDB). Na sexta-feira, o senador disse que a decisão do Ibama de vetar o empreendimento é política e será respondida com atraso na tramitação de um projeto que beneficia servidores da área ambiental.

No fim de junho, o Ibama negou a licença prévia para o Estaleito Eisa Alagoas, que o grupo Sinergy pretende construir em Coruripe, no litoral sul alagoano. De acordo com o órgão ambiental, o local escolhido pela empresa para construção do estaleiro é inadequado, por estar localizado em área de mangue.

“Mais da metade da área proposta (55,4%) para instalação do empreendimento encontra-se em área de preservação permanente (APP), área de mangue, ecossistema fundamental para inúmeras espécies”, diz parecer emitido pelo Ibama.

Críticas
Para Calheiros, a recusa do Ibama foi política e as exigências para a construção do estaleiro em Alagoas estão sendo maiores do que para empreendimentos semelhantes instalados em outros estados do país. Em resposta à negativa da licença ambiental, o senador pediu vistas a um projeto que tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado para criar cargos e que garante o remanejamento definitivo de servidores de outros órgão que foram cedidos para o Ministério do Meio Ambiente.

“Indiscutivelmente, é uma questão política. Nós sempre ajudamos, eu sempre tive boa vontade, mas, enquanto o Ibama não resolver esse problema de Alagoas, sinceramente eu não vou ter com o Ibama a mesma boa vontade que eu sempre tive”, disse Calheiros, que tem o apoio dos outros dois senadores alagoanos, Fernando Collor (PTB) e Benedito de Lira (PP).

Com o pedido de vista, o projeto saiu da pauta. Com o começo do recesso do Congresso e, em seguida, o período eleitoral, a proposta corre o risco de ficar parada na CCJ por muito tempo. “Eu o tirei de pauta e não pretendo trazê-lo de volta enquanto o Ibama não resolver essa questão em Alagoas. Já que virou uma questão política, nós vamos tratá-la como questão política a partir de agora e até o fim”, reiterou Calheiros.

Em ofício enviado ao grupo Sinergy na última semana, o Ibama pede que o empreendedor apresente locais alternativos para a construção do estaleiro, com informações comparativas sobre o impacto ambiental de cada uma, de acordo com a legislação ambiental brasileira. A empresa anunciou que irá pedir a reconsideração do parecer pelo Ibama.

A construção do estaleiro tem previsão de investimentos de R$ 1,5 bilhão. De acordo com o governo de Alagoas, a obra pode gerar até 10 mil empregos diretos e 40 mil indiretos.